quarta-feira, 22 de julho de 2009

Como desempenar chassis de slot

Todos nós já passamos por isto seguramente: começar a preparar um minimodelo para arrasar com a concorrência lá da pista e, após desmontagem dos acessórios constatamos que o chassis parece uma colher de sopa (ou um garfo, ou outro qualquer utensílio de cozinha), ou seja, está empenado...

...que fazer? Comprar um chassis novo? Pode ser, mas o mais provável é que o chassis de substituição esteja nas mesmas condições...

...então, não há solução?...
Claro que há! A competição intensa no CSB e o espírito irrequieto dos seus membros permitiram pesquisar, testar e desenvolver métodos avançadíssimos para resolver este (e muitos outros) problemas da preparação de máquinas de competição para o slot...

Neste artigo apresentamos um processo de tratamento térmico capaz de desempenar a maioria dos chassis de plástico das nossas máquinas de corridas!

Material necessário:
- um chassis empenado (normalmente equipa todos os modelos novos...)
- uma placa de verificação de pouca espessura (uma de alumínio com 2mm de espessura é o ideal)
- imanes em abundância (aqueles que normalmente vêm com os minimodelos novos e que, uma vez este aberto pela primeira vez, são a primeira coisa a ser retirada...)
- uma fonte de calor capaz de levar água ao ponto de ebulição (um fogão de cozinha serve muito bem...)
- um recipiente de aquecimento, capaz de conter água durante o aquecimento até ao ponto de ebulição (uma panela de sopa ou um fervedor servem perfeitamente)
- um recipiente para colocar o chassis e a água durante o tratamento térmico (uma assadeira velha serve muito bem, por exemplo uma "Pirex" tem a vantagem de ser transparente)

Modo de procedimento:
- colocar o chassis sobre a placa de verificação e colocar os imanes onde for mais conveniente. Os imanes deverão ser colocados aos pares, um por cima do chassis e outro do outro lado da placa de verificação; é importante distribuir bem os imanes e não deixar partes do chassis livres sem fixação, uma vez que podem distorcer durante o tratamento. Alguns chassis não são totalemente planos, apresentando desníveis e detalhes em diferentes planos; nestes casos é importante "calçar" esses detalhes para não distorcerem, usando tiras de plástico, restos de outros chassis, pilhas de imanes, enfim, sejam criativos...

- aquecer a água na fonte de calor (dentro do recipiente de aquecimento, claro...)

- colocar o chassis, fixo à placa de verificação com os imanes, dentro do recipiente para o tratamento térmico

- quando a água estiver a ferver, desligar a fonte de calor e verter a água no recipiente de tratamento térmico; é boa ideia verter num dos cantos do recipiente, evitando verter directamente sobre o chassis

- deixar a água arrefecer até à temperatura ambiente. isto deve demorar algumas 2 a 3 horas. o processo pode ser acelerado: após verter a água a ferver, verter água fria no recipiente ou retirar a placa com o chassis (cuidado com os dedos, que a água está a ferver) e colocar debaixo de água corrente (a torneira da cozinha serve...); pessoalmente não gosto de apressar estas coisas, por isso prefiro esperar que tudo arrefeça naturalmente... por outro lado o arrefecimento brusco pode provocar outras distorções no chassis, perdendo-se o efeito deste tratamento...

Em alguns casos, o processo deve ser repetido. Mas, se ao fim de três repetições o chassis continuar empenado, então aconselho comprar um chassis novo...

nota: a água em ebulição pode provocar queimaduras de 2º grau.... sejam previdentes!

por Miguel Queirós

13 comentários:

Hugo Figueiredo disse...

Ena, agora temos receitas culinárias no blogue !!! :)


Tou a brincar. Ai está uma versão bem detalhada do processo que deixou de ser um mito urbano para resolver aquele fantasma que tanto nos apoquenta, o empeno crónico dos chassis.


Esta é uma pergunta de leigo, mas onde é que se pode arranjar uma placa de alumínio dessa espessura? Eu só tenho placas de verificação em acrílico, o que nao é nada bom de se usar com água a ferver (nem mesmo com o secador de cabelo, o outro método)

daniel disse...

Boas, afinal não é só o Maia que se ajeita nas lides da cozinha...:)
Método simples e totalmente eficaz, bem melhor que usar o secador de cabelo. Embora ja existam maquinas para desempenar chassis que são muitas caras, esta é uma boa solução, pois não tem custos e obriga-nos a saber onde se encontram os utensilios da nossa cozinha!!!
Abraços

Emídio Peixoto disse...

Muito bem Miguel Queirós!!
Com mais um brilhante artigo teu ficaram os mais novatos a perceber duas coisas:
1.º É importante correr com um chassis desempenado ou empenado o menos possível. O estado do chassis é fundamental para a estabilidade do carro;
2.º É possível desempenar um chassis sem recorrer a máquinas ou aparelhos dispendiosos. Basta saber e querer...

Obrigado por partilhares com os outros, caro amigo Miguel Queirós!


P.S.: o fervedor foi utilizado com o consentimento da tua esposa ?

Miguel Queiros disse...

Olá a todos.

Obrigado pelos comentários.

Hugo: as placas de alumínio que utilizo foram fabricadas por um ex-associado do CSB... talvez no AKI haja alguma coisa semelhante.

Daniel, é como dizes, existem umas "geringonças" para o mesmo efeito. Muito mais pro, mas também mais caras...

Emídio: o grande truque é chegar à cozinha com um carro de slot e conseguir utilizar a placa vitrocerâmica sem que ela se aperceba... depois disso utilizar o fevedor é canja ;)

Um abraço.

Mota disse...

Viva Miguel.

Parabéns. Embora quase todos já tenhamos tido que recorrer à imaginação para ultrapassar inúmeras dificuldades, essa do desempeno dos chassis ainda é uma das maiores dificuldades por que passamos.

É sempre bom um guia deste género, sobretudo para os mais novatos nestas coisas.

Quanto à maneira de ultrapassar as Madames, concordo plenamente contigo, é só fazer as coisas às econdidas......às claras, digo, mas sem que topem a nossa jogada...

Um abraço

Augusto disse...

Mais uma vez parabéns Miguel.
Mais um artigo cheio de conteúdo, principalmente para os mais novos mas também para os mais antifgos e distraídos.

Abraço
Augusto

Hugo Figueiredo disse...

Hum, eu tinha a ideia que a garagem da casa é o último domínio masculino das moradias, pelo que podemos sempre dizer: "preciso de agua a ferver para uma coisa lá na garagem" que deve funcionar.


...digo eu, mas sou solteiro :)

Miguel Queiros disse...

Olá Hugo.

a estratégia que sugeres funciona se não morares num 3º andar... imaginas a cara da vizinha do 2º esq. enquanto ambos descem pelo elevador e levas uma panela de água a ferver nas mãos?...

mas a dificuldade é mesmo chegar ao fogão de indução, o grande bastião do domínio feminino na casa ("não faças assim que sujas, não faças assim que riscas...") ;)

Hugo Figueiredo disse...

Olá Miguel,


Pois, efectivamente moro num 3º andar, por isso se algum dia tiver de me refugiar na garagem por motivos slotísticos, vai parecer estranho. Posso sempre levar um "camping-gaz" ou placa eléctrica para a garagem eheheh...


A conversa já começa a divagar do tema inicial que é o desempeno de um chassis, para o campo do que é a batalha constante entre o nosso hobby e as opiniões das nossas parceiras...

Miguel Queiros disse...

... e para isso era necessário um blog exclusivo para o tema...

... e parece-me que teria acessos muito superiores a qualquer outro que eu conheça... ;)

abraço,

Augusto disse...

AVISO
que é proíbida a utilização de gás PROPANO OU BUTANO em caves por serem mais densos que o ar.

cumpts
Augusto

Hugo Figueiredo disse...

Exacto, pela mesma razão que os carros GPL nao podem estacionar em subterrâneos (embora só neste país...)


É melhor ficarem-se pela placa eléctrica... para os que moram em apartamentos.

A.Bernardino disse...

Palavras para quê!
Mais um artigo à Miguel Queirós, simples e instrutivo.
No meu caso não desço, subo pois moro num 3ºandar e a minha oficina é no sotão... ah!ah!ah!...

Um abraço.

A.Bernardino